segunda-feira, 20 de maio de 2013

Poesia patricinha e mauricinho




Poesia patricinha e mauricinho

Estou cheia dessa poesia patricinha ou mauricinho como preferirem - vazia. Obedecem a um desritmo, por vezes uma desrima, ou aliteração fóbica fugindo de qualquer musicalidade para não ser confundida com um poema, - aquele das antigas, careta, com pé e cabeça.
Sem espírito, sem alma, não dá para fazer poesia. Além disso, é necessário a percepção de quem joga a própria alma na estrada da vida inesperada e surpreendente, diferente da experiência universitária protegida, vida das academias e seus professores, seus orientadores e orientandos seguindo os ensinamentos corretos e ritmados tão valorizados  pelos editores bonzinhos que publicarão seus textos se também seguirem a direção do mercado.
Palavras, frases, textos de efeito e que não dêem a sensação de transcendência e que nada do lirismo transpareça. Esse coitado, por sinal, deve desaparecer de uma vez por todas.
Dizem eles:- “muito sentimentalismo, quanta emoção! Melodrama!
Na verdade, estão vazios e riem da sua própria falta de esperança. Mais ainda, se é para sentir alguma coisa, ou melhor, dessentir, só sendo violentamente destrutivo, como o são,  - atacantes de qualquer amor ridículo. Se por algum acaso o amor não tiver sido ainda pulverizado no poema, o que resta é uma profunda melancolia, ou frustração ou um sentimento de vingança que necessariamente será escatologicamente cantado. É a revolução - gritam as patricinhas e os mauricinhos.
 Entendo agora que a poesia está doente dessa melancolia. Uma melancolia irritada, vingativa, ressentida, onde a palavra deve ser cuspida no papel e não esculpida. Não dizer absolutamente nada usando até muitas palavras é o ideal e se ainda puderem passar um gostinho cinza, um vácuo, uma despersonalização no leitor, enquanto o autor permanece com aquele risinho sádico espiando o leitor, um idiota.
E se ainda aquele que se diz poeta puder ter um grupito de poetas que escrevam como ele e não compreendam nada do que escrevem, só aquela bossa do desescrever, do dessentir e da curtição desse não entendimento, e até fazendo piada e ter um humor bacana de se ver, exibido em algum sarau, com toda a alegria de denegrir os  líricos e os outros poetas sentimentalistas que sem dúvida, por sorte ainda não desistiram
.Assim unidos, elaboram uma série de conceitos, do bem e do mal, quem é bom e quem não é, porque até os poetas devem ser absolutamente taxados.
 Quanto às editoras não gostaria de começar a falar, mas já que comecei, não são todas, quero ressaltar, mas algumas no golpe de que: - poesia é pouco lida, vende pouco, não é comercial - aí não publicam, só publicam poesia dos bobocas dos poetas que paguem as suas edições. Nem sei se são bobocas, porque a poesia é boa de qualquer maneira e mesmo assim , vale à pena
Os outros autores publicados são jornalistas, atores, cantores ou moram na comunidade, -  o último must - , estão na mídia. O texto é o que menos importa. Esse não interessa, porque como ninguém entende poesia mesmo, até mesmo os próprios editores,como eu  ia dizendo, agora piorou. A onda é poesia para ninguém entender mesmo.
Uma ladainha, um desconforto, um tédio de palavras será sempre mais seguro. Os mauricinhos e patricinhas estão sendo editados, publicados, difundidos levados para as feiras, para o exterior e trocam com tantos outros um nada  muito condizente com todo o desamor dessa terra.Para que ter poetas, ou melhor como ter poetas , se poesia é o amor?
Sentimental, não?

14/V/2013








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