sexta-feira, 10 de maio de 2013

A mãe de histórias


A mãe de histórias

           
E Deus tinha caminhado à noite pelas areias de Copacabana.
Eu soube quando raiou o dia e as marcas redondas acolchoavam o tapete que as crianças pisavam.
Presença reconhecida pelo meu coração desejoso de esperança
Aqueles dias anteriores tinham sido esgotantes
Sentia lugar para ninguém mais em mim 
Tinha nascido um rio seco e um galho sem folhas bem descascado
aqui dentro da minha barriga 
Eu seria de agora em diante uma vara bem fininha para bater em quem se aproximasse de mim querendo contar estórias de amor e de gostar. 
Desencantei-me. A carruagem virou abóbora e a abóbora virou melão
e o melão virou lágrima.
É lógico que Ana estava muito triste.Afinal aproximava-se o dia das mães e a dela tinha morrido há poucos meses.Apenas o mundo não tinha culpa disso e nem ficaria mais ou menos triste por causa dela.
Quem poderia sentir sua dor ? 
Mas eu estou contando de Ana porque Ana era só coração. 
Sua emoção flutuava entre as montanhas e os mares da zona sul onde ela nasceu.
E além disso, Ana achava que tudo acabara.
Mas eu queria que vocês dissessem à ela que é mentira.
E contem também à Ana que vocês gostam muito dela e 
aí ela levantará os olhinhos negros e cheia de curiosidade vai notar
o tom da pele, o brilho dos olhos e vai querer conhecer vocês 
Aliás, eu não tinha falado ainda como Ana é curiosa !!!!!!
Ela olha tudinho para tecer nos seus sonhos histórias e mais histórias com a gente todas as noites 
O que Ana não sabe....
É que ela é mãe de histórias  e
por enquanto que ela não sabe 
 eu vou escrevendo por ela e
aí, vocês vão lendo, vão ficando com os olhinhos brilhando e
quando vocês encontrarem a Ana
o olho dela vai brilhar também e ela vai continuar a viver










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