A mãe de histórias
E
Deus tinha caminhado à noite pelas areias de Copacabana.
Eu
soube quando raiou o dia e as marcas redondas acolchoavam o tapete que as
crianças pisavam.
Presença
reconhecida pelo meu coração desejoso de esperança
Aqueles
dias anteriores tinham sido esgotantes
Sentia
lugar para ninguém mais em mim
Tinha
nascido um rio seco e um galho sem folhas bem descascado
aqui
dentro da minha barriga
Eu
seria de agora em diante uma vara bem fininha para bater em quem se aproximasse
de mim querendo contar estórias de amor e de gostar.
Desencantei-me.
A carruagem virou abóbora e a abóbora virou melão
e
o melão virou lágrima.
É
lógico que Ana estava muito triste.Afinal aproximava-se o dia das mães e a dela
tinha morrido há poucos meses.Apenas o mundo não tinha culpa disso e nem
ficaria mais ou menos triste por causa dela.
Quem
poderia sentir sua dor ?
Mas
eu estou contando de Ana porque Ana era só coração.
Sua
emoção flutuava entre as montanhas e os mares da zona sul onde ela nasceu.
E
além disso, Ana achava que tudo acabara.
Mas
eu queria que vocês dissessem à ela que é mentira.
E
contem também à Ana que vocês gostam muito dela e
aí
ela levantará os olhinhos negros e cheia de curiosidade vai notar
o
tom da pele, o brilho dos olhos e vai querer conhecer vocês
Aliás,
eu não tinha falado ainda como Ana é curiosa !!!!!!
Ela
olha tudinho para tecer nos seus sonhos histórias e mais histórias com a gente
todas as noites
O
que Ana não sabe....
É
que ela é mãe de histórias e
por
enquanto que ela não sabe
eu vou escrevendo por ela e
aí,
vocês vão lendo, vão ficando com os olhinhos brilhando e
quando
vocês encontrarem a Ana
o
olho dela vai brilhar também e ela vai continuar a viver
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