Batatas
Ela gostava muito de batatas
fritas; principalmente aquelas industrializadas, - esqueci o nome -; é essa
mesma que vocês acabaram de lembrar. Era quase uma compulsão. Bastava entrar no
supermercado e olhar nas prateleiras.
Eram muito, muito salgadas, mas
deliciosas e ela ficava preocupada com a sua pressão arterial. Abria a
embalagem se embalando na gostosura, mas apenas comia umas poucas lascas e lhe
vinha a preocupação com a saúde.
Percorria os vários corredores
procurando um vão, um buraco qualquer onde pudesse deixar o resto do saco com a
batata que se proibia de comer e já, - pensava ela -, que só tinha
experimentado, achava que não devia pagar ao supermercado e mais ainda, -
achava que deveria ter a cortesia do mercado.Afinal era uma cliente antiga e
assídua e assim, se liberava de pagar pelo que tinha consumido.Fazendo as
contas, já havia gasto sacos de dinheiro com compras ali.Agora só precisava de
um momento , que ninguém a visse, um instantâneo para deixar o produto do
roubo.
Sem querer, tinha se tornado uma
ladra de um dia para o outro.
O supermercado, na pessoa de seu
gerente procurava nesses últimos dias encontrar o responsável por todos aqueles
roubos de sacos de batatas fritas encontradas abertas e roídas todos os dias
espalhados em muitos cantos dali. Quem seria a ladra das batatas fritas?
Por outro lado, ela, depois de
algum tempo, começou a notar pacotes de balas, biscoitos, abertos deixados nos
mesmos esconderijos e perguntava-se indignada: quem a estava imitando? Quem
eram esses outros?Talvez diabéticos?
13/V/2013
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