domingo, 12 de maio de 2013


Azul



Minha mãe era a mulher mais bonita do bairro
Ela passava e a sombra azul dos olhos
Tornava céu Madureira
A estação de trem tremia as árvores continham os gemidos
Dos que ali amontoados se espremiam
Para ver o olhar em horizonte daquela mulher

Pequenas avenidas mudavam como festa
O sol em lustre de cristal brilhava
Enquanto Cinderela passava

Às vezes passava a escola de samba também
Bate-bolas diabos morcegos enfeitados
Para a alegria eu tinha medo
Tinha o natal tudo era presente e encontro de felicidade
Tinha o Natal de carne que controlava o jogo de bichos
Era rico esse homem
Tinha um anel no mindinho
Resplandecia menos que minha mãe
Eu
Era franzina portava um porta-seios um soutien azul
Na blusa ligeiramente aberta
Guardava no peito a chama de ser como ela
Em azul explodir fulminante corações
Essa energia tenho escondo
Porque no espelho respondo
Existe alguém mais bela?

Para onde dá esse azul dos teus olhos?

12/V/2013

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