Amarelo Branco
Minha vida vem sendo torrada por
esse sol quente de janeiro.Segundos, minutos ou horas não se diferenciam, o
tempo passa rápido mas estagnado ,massacrado por esse calor de mesmice.Estou
sem idéias e a vida passa diante de meus olhos e já não a alcanço, não.Meus
braços não têm sido abraçados e isto faz toda a diferença.Parece tudo um
aglomerado de palavras ,histórias sem sentido , mãos sem prá quê, sem ter o que
pegar.Passam as tardes embora não as sinto passar, assim como fogueira a
queimar um papel frágil que rapidamente desaparece.
Rio de Janeiro, quinze horas e três
minutos e todos os meus planos fracassados. Todas as previsões não cumpridas. Estou
aqui e não sei o que falo para mim. Não dá para consertar, se arrepender, pedir
desculpas. Nada funciona. Só o verão com essa luz repetitiva, implacável que
não me diz nada e nem abrilhanta minha existência inútil.
Só resta sentir calor, enxugar o
suor que não foi fruto do trabalho, às vezes se abanar, às vezes ligar um pouco
o ar condicionado, não muito, para não gastar muita energia e ir se empurrando pelas
beiradas desse branco mental, esse estupor de nada que me carrega os dias em
que poderia estar amando. Mas quanto mais quis mais perdi ou não tive. Mediocridades.
Fico quieta brincando de morta viva e quem sabe alguma coisa possa acontecer.
Esse sol ,esse sal é para os
amantes que no verão se esfregam como superfícies a inventarem o fogo, a maior
descoberta- o calor humano.
Esse mar banhando peles que
derretem tesão, aflição , expectativas, não é mais o meu.
Talvez o branco, o frio,a neve a
cultura da solidão possam dar um empurrão no destino e voar para a Europa, nos
Alpes, quem sabe encontrar o onde e o quando da minha escalada.
Rio, 23/01/2014
Rosália Milsztajn
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