Órfãos
Os
meninos mergulharam em frente aos carros
Dilatados ao sol de Botafogo
Manequinho não parava de mijar
A água amarela
desfraldada caía na cabeça
Dos
incríveis mergulhadores que morreriam
Em
alguns dias na Candelária
Buzinas impacientes
estouravam
Anunciavam
Como os golfinhos
Um
assassinato
A mulher na esquina
alimentava pombos órfãos
Que
juntavam-se em grupos a bicar o milho
Ela
vira muitas vezes os pombos famintos
Abriram-se os semáforos
Carros engrenaram a primeira
Os
meninos com sorrisos d´água
Saíram da piscina natural
Molhados de inocência
In, Itgadal, Memória dos ausentes, Diadorim editora, 1996
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